Navegando por essa blogosfera, descobri
este post que passo a transcrever:
Como todos os que já me conhecem sabem, sou descendente de uma família Judia e tenho imenso orgulho nisso.
Assim, defendo e defenderei sempre os Judeus, o Estado de Israel e o direito à sua existência na Palestina. Mas isto não significa que tudo o que o Governo de Israel faz esteja correcto. Claro que não! Mas, o contrário, ou seja, tudo o que o Governo de Israel e os Judeus fazem está errado, ainda é menos verdade.
Mas este meu post não é sobre o Estado de Israel e isto foi apenas uma pequena ressalva.
O tema deste post é o anti-semitismo, desde os primórdios da civilização até aos nossos dias, as suas raízes, causas e consequências.
Tentei não me alongar demasiado mas não consegui fazer um post mais curto.
Até há pouco tempo, eu pensava que o anti-semitismo era um sentimento que pertencia ao passado, apenas defendido, nos dias de hoje, por pequenos grupos e que jamais poderia voltar a tornar-se uma ameaça.
Infelizmente e, sobretudo, desde que comecei a escrever em blogs, apercebi-me que este sentimento de ódio contra os judeus está cada vez mais vivo e presente nos nossos dias e em todos os países e Portugal não é excepção.
O anti-semitismo está a tornar-se algo de concreto, palpável e ameaçador, basta ver‑se o constante crescimento dos partidos nacionalistas ou neo-nazis, ou ainda a recente conferência organizada pelo “louco” do Irão negando o Holocausto.
Por ser Judia, por ter imenso orgulho nisso, por não ter medo de defender os Judeus e o Estado de Israel, porque nenhum povo pode ser sistematicamente perseguido e ser o “Bode Expiatório” dos males do Mundo, considero que é urgente denunciar o anti‑semitismo, e o absurdo da sua existência.
E, É ISSO QUE PRETENDO COM ESTE POST!!!
Assim, dividi este texto em várias partes: As raízes do anti-semitismo; O anti‑semitismo na Idade Média; a Inquisição em Espanha e Portugal; o Sionismo e suas raízes; o Holocausto; O anti-semitismo nos nossos dias; Conclusão.
As Raízes do Anti-semitismo
Originalmente, a palavra semita estava relacionada com hebreus, aramaicos, árabes e amáricos, mas com os tempos passou a referir-se apenas aos Judeus e à sua cultura.
Assim, o termo anti-semita, que surge pela primeira vez, em obras de Wilhelm Marz, na Alemanha em 1873, significa a oposição, ou de uma forma mais realista, o ódio aos Judeus.
Mas, muitos séculos antes do aparecimento deste termo, o ódio aos Judeus era, já, uma triste realidade.
Não é possível indicar-se com precisão uma data para as primeiras perseguições aos Judeus por isso vou apenas referir que já, há muitos e muitos séculos atrás, Romanos, Bizantinos, Árabes, Turcos Otomanos e Cristãos fomentaram o ódio pelo Povo Judeu.
Uns porque pretendiam impor os seus domínios, conquistar territórios, constituir grandes impérios; outros por questões religiosas, pois para a Igreja católica da Idade Média, o Povo Judeu, responsável pela morte de Jesus Cristo, devia ser repudiado e punido; outros ainda por questões culturais e económicas: os Judeus, com uma cultura e religião diferentes, que lhes permitia ter profissões que a Igreja católica proibia, cobravam impostos e emprestavam dinheiro a juros, o que originou o ódio dos outros povos, transformando-os nos “Bodes Expiatórios” por excelência.
Sistematicamente atacados e invadidos, acabaram por perder a sua nação (no séc. II da nossa era) e foram obrigados a espalharem-se por todo o Mundo – iniciando assim a Diáspora.
O Anti-semitismo na Idade Média
Na Idade Média o anti-semitismo teve as suas raízes em aspectos religiosos e culturais. Considerados culpados pela morte de Jesus a Igreja não perdeu nunca a oportunidade de os perseguir.
Os exemplos dessas perseguições são imensos, mas vou apenas referir os mais dramáticos.
Os Judeus, ao longo da Idade Média, foram sistematicamente acusados de serem os culpados pelas grandes catástrofes, como o terramoto, de Roma em 1201, ou a Peste Negra na Europa em 1348-49, provocando a irra e o ódio das populações que mataram e queimaram nas fogueiras centenas de Judeus.
Em 1240, em Paris, foram queimados pela primeira vez livros da religião judaica, a mando da igreja católica. Em 1401, na Suiça foram queimados vivos nas fogueiras cerca de 48 judeus.
Em 1431 o Concilio de Basileia decretou que os judeus tinham que viver em bairros separados: criaram-se assim os futuros “ghetos”.
A Idade Média foi, pois uma das muitas épocas negras para os Judeus, que foram sistematicamente perseguidos, expulsos dos países onde viviam, acusados de provocaram diversas calamidades e queimados nas fogueira da Inquisição.
A Inquisição em Espanha e Portugal
As origens da Inquisição datam de 1183, no Concílio de Verona, mas foi em 1232 que o Papa Gregório IX instaurou a Santa Inquisição em diversos países da Europa; Portugal, Espanha, Itália, França e Alemanha foram os países onde teve maior impacto.
O Tribunal do Santo Ofício deveria julgar todas as formas de heresia e dependia da Igreja. No entanto, os Monarcas utilizaram este Tribunal para a defesa dos seus próprios interesses.
Na Península Ibérica, a Inquisição teve o seu período alto nos séculos XV e XVI.
Em Espanha, com os Reis de Castela e Leão, Isabel e Fernando que expulsaram todos os Judeus, e em Portugal, com D. Manuel e com D. João III, (com a conversão forçada dos Judeus (cristãos-novos) e sua expulsão.
No ano de 1506, Lisboa foi palco de uma das maiores atrocidades desta época: durante 3 dias cerca de 4000 judeus foram mortos, espancados ou queimados pela população.
Muitos Judeus já tinham sido expulsos de Portugal, muitos outros partiram após esta matança, com destino ao Norte de África, Marrocos, França, Inglaterra e Holanda.
Sem se aperceber, Portugal perdeu, assim, algumas das pessoas mais cultas e sábias dessa época.
O Sionismo e suas raízes
Como já referi atrás o termo anti-semitismo surgiu pela primeira vez na Alemanha, em obras de Wilhelm Marz, que fundou a Liga Anti-Semita em 1879, e tornou-se numa corrente defendida por muitos outros.
Em 1880, Eugen Dühring refere-se, pela primeira vez à questão judaica como uma questão de raça, defendendo que os judeus eram inferiores em todos os aspectos intelectuais.
Em 1881, Wagner publicou um ensaio falando de um anti-semitismo político.
Mas, a obra mais maquiavélica destes tempos foi sem dúvida os “Protocolos dos Sábios de Sião” publicados em São Petersburgo, onde se fala de uma conspiração judaica para o domínio do Mundo. Infelizmente, ainda hoje em dia, no séc. XXI, há quem acredite e tema essa conspiração…
Os progrons na Rússia e Polónia e o caso “Dreyfus” em França são alguns dos tristes episódios dos quais os Judeus foram uma vez mais vitimas.
O Sionismo foi, pois, uma reacção a este anti-semitismo do séc. XIX.
O termo Sionismo surgiu pela primeira vez em Viena, em 1892, e representava o desejo dos Judeus de voltarem a Jerusalém.
Em 1896, Theodor Herlz (considerado o pai do Sionismo), no seu livro “O Estado Judaico”, defendia que os problemas dos Judeus, vítimas do anti-semitismo, só teriam solução com a criação de um país para os Judeus.
Nascido do saudosismo religioso de Jerusalém, o Sionismo tornou-se num movimento político cujo objectivo era a criação de um Estado Judaico.
Em 1901, foi criado o Fundo Perpétuo para Israel, destinado à aquisição de terras na Palestina, tendo em vista a criação de um futuro Estado Judeu na Palestina.
Ao contrário do que muitos pretendem, o Sionismo nunca pretendeu acabar com os árabes na Palestina, somente defendeu o regresso dos Judeus ao seu país de origem: Israel.
O Holocausto
Não vou aqui referir-me em pormenor ao anti-semitismo na Alemanha dos anos 30, nem ao Holocausto, pois já foi objecto de um outro post meu e porque, só por si, daria um novo post.
Apenas vou mencionar que o anti-semitismo na Alemanha de 1933, teve as suas raízes tanto no anti-semitismo da Idade Média como no do século XIX, e que, uma vez mais, foi aproveitado este ódio irracional contra os Judeus, culpando-os da crise económica da Alemanha, usando-os como “Bodes Expiatórios”. Ao perseguir os Judeus, Hitler tinha dois objectivos: por um lado apoderar-se dos seus bens, por outro silenciar uma oposição à sua política, que culminou na II Guerra Mundial e no Holocausto.
O Anti-semitismo nos nossos dias
Este novo anti-semitismo como alguns o chamam tem como alvo não só os Judeus enquanto Povo, mas também e, sobretudo, o Estado de Israel.
É um sentimento cujas raízes têm séculos de história mas que hoje em dia nada têm a ver com religião, tanto mais que a igreja católica já deixou há vários séculos de perseguir os Judeus e o Papa João Paulo II pediu perdão pelos exageros e erros da Igreja no passado, referindo-se às Cruzadas, à Inquisição e à passividade da igreja católica enquanto instituição durante o Holocausto.
O anti-semitismo dos nossos dias está ligado a aspectos raciais, políticos e económicos. Os anti-semitas são também de diferentes quadrantes.
Por um lado, são simpatizantes ou militantes de partidos neo-nazis ou nacionalistas, que além de negarem o Holocausto, defendem a política de Hitler de uma raça “pura”.
Por outro podem-se encontrar entre uma determinada extrema-esquerda apoiante dos árabes e da causa palestiniana, que em vez de a defenderem baseados em razões justas, atacam os Judeus e Israel, por tudo e por nada, considerando-os os únicos culpados da actual situação dos Palestinianos, esquecendo-se (pois isso não interessa lembrar) que foram os árabes que negando-se a aceitar a criação do Estado de Israel, o atacaram logo após a Declaração de Independência, com o único objectivo de o destruírem e aniquilarem.
Ainda que em menor escala ainda há aqueles que acreditam que existe uma conspiração dos Judeus (sobretudo dos Judeus americanos) para controlarem o Mundo.
Mas, e antes de começarem a pensar que eu sou radical e tendenciosa, passo a explicar.
Israel não é um estado perfeito e nem tudo o que o seu Governo faz está correcto, por isso mesmo, não se pode dizer que alguém é anti-semita só porque critica Israel ou o seu Governo.
Da mesma forma também não se podem associar os Judeus a toda e qualquer política norte-americana (e infelizmente é isso que acontece numa determinada esfera política).
O perigo do anti-semitismo dos nossos dias reside, por um lado no crescimento dos partidos nacionalistas e neo-nazis, por outro nos extremistas islâmicos que, aproveitando-se da causa palestiniana (que, no fundo, pouco lhes interessa) e do facto de, na Europa de hoje, ser politicamente incorrecto defender Israel, para alimentarem o ódio contra Israel e contra os Judeus, com o único objectivo de destruírem o Estado de Israel.
Conclusão
Finalmente cheguei à conclusão que, depois de tudo o que escrevi será bastante curta.
Para os anti-semitas de hoje o crime dos Judeus foi terem resistido a todas as perseguições de que foram alvo ao longo dos séculos, nomeadamente de terem sobrevivido ao Holocausto e de terem conseguido a criação do Estado de Israel na Palestina.
Ao contrário do que pensava Theodor Herlz, que defendia que os problemas dos Judeus do séc. XIX, vítimas do anti-semitismo, seriam solucionados com a criação de um país para os Judeus, isso não sucedeu.
E ao contrário do que alguns defendem, a Paz entre Palestinianos e Israelitas também não vai acabar com o anti-semitismo, embora ela seja fundamental para estes dois povos.
Mas, serão precisos séculos de história para acabar com o que a história fez…
Shalom aos Judeus
Shalom Israel
Kiki Anahory Garin